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querer definir ou encerrar a relação que existe entre nós, pessoas de carne e osso, e aquilo que chamamos de “obras de arte”, seja um livro, uma pintura, uma fotografia, uma música, um filme, enfim, qualquer manifestação artística, além de ser perigoso - porque você vai mostrar apenas a tua visão, que não é necessariamente a de todos (quiça talvez seja apenas a tua) - é também presunçoso, porque, bem, quem você pensa que é pra tentar encerrar alguma coisa?

mas não resisto e, como sou um tanto presunçoso, dou aqui o meu pitaco.

acho que o tipo mais agradável de obra de arte é aquele que te faz esquecer do tempo, que te isola num lugar espaço-tempo que, se vocês se permitirem uma licença poética, não existe. é como se você fosse colocado num local onde o tempo simplesmente não existe - para você. ao seu redor, fora desse lugar hipotético e utópico, o tempo passa, as coisas acontecem, seguem seu rumo. mas você está quase que num ponto de fuga, uma espécie de marco zero de lugar nenhum.

isso acontece quando você começa a ler um livro que te envolve tanto que não percebe que as páginas estão avançando rapidamente, que já escureceu, sendo que você tinha começado a ler depois do almoço.

ou quando, como aconteceu comigo agora, você põe um disco para tocar, continua fazendo suas obrigações e, de repente, sem que você tenha se dado conta, ele chega na última música. você toma aquele susto, pensa “mas já?”, e põe o disco para tocar de novo. é assim.

a saber: “Maior abandonado”, do Barão Vermelho.

11:50 pm: sobretudo


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